26/02/2008

Ser

Começarei a ler o ‘livro do ser’, cedido gentilmente pelo Rosiel M., mas antes de começar mesmo, escrevo esta anotação:

O que qualquer coisa precisa para ser? Sou, logo existo. Existir não é certeza de ser, mas ser é fruto de existir. Só se é quando se existe. Não se ensina a existir, assim como não se ensina a ser. Vai sendo intuitivamente, porém não se vai existindo. Existir é único, de primeira, existe-se e pronto. Nunca mais terás outra chance de existir novamente. E Deus disse: Existam. Então tudo o que existe, é. E do instante posterior ao existir, as coisas estão sendo. Ser é invenção. Inventa-se mundos, fatos, estórias, piadas, músicas. Depois junta-se tudo e formamos um ser, que é por existir e não o contrário. Nem todos os que existem, são. Há aqueles que por ter surdez, não ouviram o grito de Deus, mas existiram por bonança. E como não tiveram a noção de que existiam, não foram, e não são até hoje, só existem. Porém, existir não lhes é suficiente, muitos optam por não mais existir, outros vão sendo intuitivamente sobreviventes (mas não necessariamente são, somente sobrevivem). Aliás, há quem exista e não quer ser por opção, e luta contra, e se contrai, e retrai, e se isola. Tolos. Mal sabem que mesmo fazendo isso, continuam sendo. E vão ser até o fim. Ser, apesar de intuitivo, é inevitável.
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24/02/2008

Sobre o caio

Hoje andei lendo Caio (não gosto, por motivos de falta de sorte, de Caios). Porém deste eu gosto: Caio Fernando Abreu. E ele me deu um tapa tão dolorido no meu rosto direito, talvez por ser fã da Clarice, o que não e espanta esse tapa, já que ela mesma me deu tanto e continua até hoje. Mas andei lendo sobre Adèle Hugo, que amara tanto um homem que o transformou em um símbolo sem face e nem corpo, fruto da paixão e da loucura dela. Resumindo, ela amava alguém que não existia, somente dentro dela. Foi um calafrio, um aperto, um nó. Mas pensei comigo e cheguei a testar a veracidade da tua existência. Será que existe mesmo? Ou será que eu amo o seu falso eu, encarnado e idolatrado somente por mim? Mas sei que existe, ou estaria extremamente louco já que amo esse teu eu que diz nos meus ouvidos o quanto gosta do meu cheiro, e que se sente protegido quando está perto de mim. É esse que eu amo, e é esse que sempre habita em ti, portanto, sei que existe! Meu cego amor não me engana, não hoje.

Leiam o texto na íntegra:

http://camelolendo.blogspot.com/2007/09/extremos-da-paixo-caio-fernando-abreu.html


em seguida, passem a gostar do Caio Fernando Abreu.
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23/02/2008

Poesia

Se um dia quiseres sumir,
que seja dentro de mim.

Se perca por dentro do que é teu.

E se quiseres ficar pequeno - bem pequeno
deite nos meu braços,
farei carinhos e se sentirás menino, de novo.

Só nunca queira morrer,
por mais forte que pareça ser.
Eu jamais suportaria.


ps: não sei dar título as minhas coisas :\. mas isso é pra você, pr.

20/02/2008

Textinho número 3

A minha angústia não é saber até onde vai a minha liberdade, mas não perceber quando estou desobedecendo os limites da liberdade alheia, por mais que o alheio me pertença. Perceba que você já me pertence. Deixar-te livre por alguns instantes, míseros segundos ou dias, me deixa extremamente louco. Por um lado tenho medo de perdê-lo, mas por outro tenho medo de parecer possessivo demais. E sabemos o quão o exagero é prejudicial. Inclusive no amar. Amar exageradamente é doença, e por Deus, juro que me sinto quase assim, somente quando me dou conta da minha loucura é que te deixo de lado, e vou respirar por ares mais puros, longe de ti, no entanto. É nesse momento que tens o teu tempo livre para fazer as coisas todas que pretendes longe de mim, claro. Mas se por perto, me dói, longe, me dói triplamente. Sinto tanto medo, mas tanto medo que parece um infarto com insuficiência respiratória. Se não te respiro, acredite, morro. Cheguei a conclusão que preciso mesmo te respirar para sobreviver, inclusive, sei que te amo mesmo. Mas, o que tenho de fazer é aprender a amá-lo tanto que não precise o tempo de todo de ti. Preciso te amar, sem estar à beira da loucura, sem pensar no amanhã ou no hoje, sem que sinta esse desespero todo.

19/02/2008

Textinho número 2

Por mais que ainda exista o surdo silêncio que não grita, só geme, dentro, em algum lugar por dentro da minha casca deformada, sei que existe uma outra luz que não me deixa ouvir nada, nem a mim mesmo. É mais forte do que eu, e mais forte do que jamais pensei que fosse. Não é bipolaridade, ou algo do gênero, mas quando estou triste, extremamente depressivo, sou preenchido, pelas narinas, por essa luz. Um combustível tão forte e ao mesmo tempo simples de se encontrar já que tenho uma fonte repleta dele, basta que pense em ti por um instante e logo tenho livre acesso a minha abundância de vida. Só que por vezes, acho que tudo isso surreal demais, parece com os relógios derretendo daquele famoso quadro. Ou ainda, o Abaporu da Tarsila do Amaral: é real, mas não é o real. Sei que podes não ser nada do que acho que és, ou ainda não és, porque sei da minha ‘vanguardisse’. Mas queria mesmo te dizer algo: Não me dê esperanças, no entanto, me dê motivos para continuar te amando.

12/02/2008

respire.

O que me conforta é uma angústia
de uma finura comprida – cutuca,
fura,
espeta.

Até que ele: o escarlate corre.
escorre na ponta aguda.

Novamente, não há cores.
só o vermelho, que ainda transborda.

Foi por pouco.
Quase, quase a morte,
Não fui sorteado, e vivo.

Por que vivo?
(respiro).

10/02/2008

ah, se tu soubesses.

Ah, se tu soubesses. Fiz tantas coisas antes de nascer pra ti, saberias o tanto que andei, corri, chorei, sorri, roguei, implorei e rezei pra te encontrar, é que a minha necessidade de te ter já nascera junto com o meu primeiro choro, e por muito tempo te procurei desesperadamente em outros gostos e rostos, e era um desespero, uma ânsia. Contei todos os dias que passara sem sentir o teu cheiro, tudo porque não te ter era morrer o tempo todo. E morri tantas vezes que já pensava que nunca te encontraria. Essa ausência transformada em saudade me doía, e de morte em morte fui contando os dias que me faltavam. Foi quando do silêncio, que me preenchia, um branco alvíssimo manchado somente com um ponto negro de bordas vermelho-sangue, puro sangue, surgiste junto com a aurora de um dia primeiro, e tu me vens, e sinto uma vontade clandestina de dançar, de cantar, ouviam-se dos rios do meu coração grandes cânticos e louvores, todas as borboletas bateram asas dentro de mim. Era de uma imensidão tão incompreensível que quis correr pra longe, me refugiar e confesso que tive medo, muito medo de. Nesse instante, deixei de ser um farelo na imensidão do mundo, e um grão no universo. Eu era tão grande que nem cabia em mim. Ser imenso como me tornei não fora fácil, nem prazeroso, continuou doendo, só que bem mais forte, e amaldiçoei a aurora que te trouxe, sujei tanto quanto consegui o meu nome, para que eu pudesse sentir nojo de mim e me acostumasse a nunca te ter, porque, sabia que não merecia tudo o que já tinha. Até que descobri que isso sempre fora amor, e novamente os cânticos, as borboletas, as danças e senti pela primeira vez o teu cheiro, e eu inalava tanto, na esperança de te possuir por dentro que acabei por esquecer que o veneno que exalas me é mortal, e por onde ia precisava te sentir por perto, por dentro, me afogando, me acalmando, me consumindo e me procurando. Foram longos dias e ah, se tu soubesses. O cheiro de felicidade que meus poros exalavam no momento em que abraçados, e cansados, e comovidos, e exaustos, e juntos finalmente chegamos a conclusão que precisamos do outro para tentar viver. Juntos. Ah, se eu soubesse que esse pulsar que ainda hoje me remete as auroras, aos cânticos, as danças e ao cheiro, sempre fora amor.